A realidade sarcástica da vida | Birdman

Cisne Negro com a cretinice do teatro realista, essa é a definição que eu dou para o campeão de indicações ao Oscar de 2015, Birdman (Homem-Pássaro) ou A Inesperada Virtude da Ignorância, incluindo de Melhor Filme, além de ser um dos queridinhos.

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A vida real vista de longe é um drama engraçadíssimo e o filme Birdman representa bem isso. O ex-herói de cinema, Riggan Thomson (Michael Keaton), resolve recuperar a sua carreira de ator adentrando aos palcos da Broadway, com uma adaptação de sua autoria de uma obra da década de 50, direcionando e entrando em cena.  Assim, Riggan contrata o ator Mike Shiner (Edward Norton), contudo o ator é um grande encrenqueiro que acaba por cerrar uma disputa pessoal com o ex Homem-Pássaro. Entre transtornos internos e externos, Riggan entra em colapso com sua carreira, vida pessoal e autojulgamento. Atrás das cortinas do teatro, A Inesperada Virtude da Ignorância, revela a busca pela admiração e pelos holofotes de todos os atores que arrastam seus figurinos coxias a fora.

Birdman

Birdman, é um drama com um tom de humor que risca o filme como uma grande ironia. Há uma carga psicológica vibrante, Riggan conversa com seu segundo “eu“, seu ego, e é a partir dele que seus dramas pessoais tomam forma, dramas estes que não fogem muito da vida real, “quem eu era, o que eu consegui e onde estou agora é o que eu sempre quis?”. O longa traz algo que eu admiro imensamente: a história tem uma cronologia considerável, mas as problemáticas se entrelaçam todas dentro do teatro, os cenários se limitam ao local artístico, exigindo uma gama de falas e expressões mais complexas. Contudo, o texto – em sua eficiência visível – torna tudo mais suave, mais fluente.

O diretor do filme, Alejandro González Iñárritu, foi um gênio. A fotografia não é das melhores. Mas as cenas acontecem de modo que o tempo passa sem cortes, ela passa por uma porta, e dentro dela já é outro dia e isso tudo é muito claro. Ela está fixa em um momento, num corredor vazio, mas você sabe o que está acontecendo, pois há sons que te indicam – essa é uma cena clássica, fantástica, genialíssima! O cara fez um trabalho de gênio, não tenho mais o que dizer.

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De atores, todos estão excepcionais, contudo Emma Stone foi o ícone que me fez vibrar. A atriz faz o papel da filha do principal, uma garota que saiu da reabilitação, não tem um bom relacionamento paterno e oscila entre o drama e a comédia como uma onda visceral. Emma, casa comigo!

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A trilha, não podia ser melhor, temos dois tempos: uma batida inconstante de tambor, minimalista, cômica, simples e indicativa de tempo, bem realista, outra é uma sinfonia épica, deliciosa, maravilhosamente expressionista. E ela acompanha a linha do filme, dois tempos se confundem: o realismo e o expressionismo, o mundo real e o mundo lúdico de Riggan.

Você vai chorar, assustar, rir e ficar confuso. Mas o final é arrematador, duas ou uma: odiará ou amará. No meu caso fiquei encantado!

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Não é atoa as indicações ao Oscar desta obra prima. Sendo assim, aqui vão minhas quatro xícaras e meia de puro amor pelo filme que traz a realidade sarcástica da vida, ou melhor, a inesperada virtude da ignorância.

Xícara de avaliação QUATRO E MEIA

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Guilherme Morais

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