O diário de um cabelo colorido

Há pouco tempo discorri em minha coluna de moda aqui no blog sobre cabelos coloridos para homens, e – sem experiência – embasei no que eu conhecia e trouxe um convidado para falar com mais precisão sobre o fato. E, neste post, comentei minha vontade de ter a madeixas coloridas em ruivo.

Como um grande adepto à novas experiências eu resolvi embasar-me no pensamento “aproveite enquanto é jovem e faça o que tem vontade, mais tarde será tudo mais burocrático” e me aventurei. A partir disto compartilho aqui um diário sobre a minha nova aventura fashionista: cabelos vermelhos. Com depoimentos do divo Thiago Bulhões que viveu a aventura de cabelos clareados.

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10.10.2014

Acabei de pintar o meu cabelo. Eu estava eufórico e com medo o dia todo, mas mais animado do que medonho – afinal eu realmente queria isso há algum tempo. Quando vi a tinta escorrer pelo ralo fiquei perplexo, a curiosidade se transformou numa onda de sentimentos que me fez respirar antes de me encarar no espelho, pois eu estava finalmente ruivo, e não havia mais volta.

Me admirei durante um bom tempo passando inúmeras referências da dramaturgia televisiva e literária para me comparar. E fui desde o publicitário personagem Ronald McDonald até os aventureiros personagens de quadrinhos como a Jean Gray (X-Men), por exemplo. Estando preparado para qualquer tipo de piada que estaria por vir. Fui dormir satisfeito.

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THIAGO BULHÕES: Mudar a cor do cabelo foi uma ideia repentina – talvez justamente por isso tenha dado certo, pelo menos na minha concepção.

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Thiago Bulhões e seu cabelo

11.10.2014

Acordei com as fronhas manchadas. Na noite anterior procurei lavar meu cabelo com água gelada para ajudar na pigmentação, mas as manchas são inevitáveis bem como nas toalhas de banho. Acordei me olhando no espelho com a sensação de que aquilo poderia ser removido facilmente, é difícil imaginar que está com um vermelho fixo em seus cabelos.

A questão é que a cor não ficou exatamente como eu queria, mas é um início – e talvez um fim. Estou satisfeito de ao menos poder ter tido esta experiência; Estou indo trabalhar e com certeza vai ser meu maior desafio. Antes, porém, precisarei ir ao shopping resolver questões pessoais.

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No shopping as pessoas me encararam e no trabalho idem. Algumas continham risos, não de deboche, mas de “uau, o cabelo dele é diferente, e eu não estava esperando por isso”. Acontece que imaginei ficar constrangido com qualquer expressão alheia em resposta a cor do meu cabelo, mas levei tudo muito leve, eu ria da reação das pessoas, e eu realmente achava graça, era natural.

Mas a sensação era de uma constante melancia lustrosa penduricada em meu pescoço. Às vezes me passava pela cabeça “cadê o removedor de tintas, produção?”, mas era tarde demais para um arrependimento, o que me restava era curtir o momento.

A noite fui na balada, meu cabelo virou referência. O que antes diziam “aquele menino de calça resinada, camisa e sapato” passou a ser “o menino de cabelo ruivo” – tudo bem por mim.

12.10.2014

De tarde fui para a casa de um amigo, haviam desconhecidos lá e o sol eloquente fez meu cabelo brilhar e virar – a priore – o centro das atenções. Falaram do meu cabelo, depois sobre cabelos coloridos e em breve o assunto era comida japonesa (UFA). Gosto de falar sobre o assunto, mas isso já estava me cansando e eu sei que enquanto estiver com este cabelo estarei sujeito a iniciar um debate com o tema: meu cabelo.

O fato de ter cabelo vermelho têm me deixado em uma situação complicada. É difícil escolher roupas. Se coloco algo com tons avermelhados pareço uma menstruação ambulante um borrão vermelho. Se coloco cores em amarelo ou verde, meu cabelo grita. Se coloco cores vivas, pareço um carro alegórico. E está muito calor estes dias para usar preto ou cores mais escuras – o que me daria uma cara mais séria. Contudo tenho procurado investir em cores claras e cinzentas, em especial o branco – o que reflete um vermelho mais claro e vibrante ao meu cabelo.

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A propósito, sinto que não sou mais levado tão a sério, é como se as cores fizessem com que meu caráter fosse refletido em um adolescente que não quer nada com nada. E a brincadeira já está me deixando saturado. Porém, darei mais um tempo para a experiência se estender.

Ao menos tive um avanço quanto à personagens e personalidades a se comparar, meu amigo citou o Charada, e eu me identifiquei. É um personagem peculiar, inteligente e cheio de mistérios. Satisfeito.

THIAGO BULHÕES: Quando descolori o cabelo, a ideia era deixá-lo branco, como Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”. Acabei com ele loiríssimo, no maior estilo Leona (Carolina Dieckmann em “Cobras e Lagartos”).

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13.10.2014

Fui hoje para o trabalho naturalmente. Esqueci completamente que meus cabelos eram peculiares. Apenas segui meu caminho, com um leve susto quando fui me trocar no banheiro, trazendo de volta a tona o fato de que tenho cabelo colorido!

14.10.2014

Hoje foi um dia bem comum. Acho que estou acostumado com minhas madeixas ruivas. Tive um ou outro encontro com pessoas que não sabiam e a frase de sempre soou “e esses cabelos vermelhos?”. Apenas.

15.10.2014

Acordei com o instinto de mudança. Eu estava acostumado com os cabelos e resolvi arriscar a calça vermelha e óculos mais avermelhados. Até agora 3 piadas de combinação foram propostas, todas idênticas. Bom… ainda estou no clima de me acostumar, resolvi que o que eu preciso agora é dar um novo corte!

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THIAGO BULHÕES: Foi chocante, mas a ideia era justamente essa mesmo: causar. Como gosto de cabelos loiros artificiais, dessa coisa mezzo sexy, mezzo trash que a cor proporciona, acabei embarcando e me diverti com o cabelo.

16.10.2014

Percebi que a possibilidade de um flerte é algo fora do meu contexto. Não sei mais quem me olha por admiração, é como se todos os olhos voltassem a mim apenas pela vibração da cor do meu cabelo. Eu sou apenas a base de moradia, o que vive são os fios avermelhados. sensação: Inferiorizado.

17.10.2014

Dia de avaliação materna. Minha mãe chegou, olhou e olhou mais uma vez e disse “nossa, que chamativo”. Mas no fim das contas ela gostou. De resto: nada a declarar, só preciso cortar as madeixas.

18.10.2014

Cortei! Parece mais fácil agora, menos perceptível, mais aprumado. Mas ainda anseio por pintá-lo de volta! Sua cor está mais desbotada e menos chamativa, e quando está molhado parece meu velho castanho escuro de sempre!

19.10.2014

Fui para a balada ontem com esses cabelos de fogo. Não me senti ponto de referência ou um estranho. Realmente me acostumei! Não tiro a ideia de ter um cabelo mais discreto. Mas também a cor não tem me incomodado, definitivamente! E eles aparados parecem mais sérios. Mas a escolha da roupa ainda é uma novela.

20.10.2014

Esqueço por vezes que tenho um layout luminoso em cima da cabeça. Quando me olhos no espelho, pareço “normal”. Quando uma mecha cai sob meus olhos, pareço “normal”. Ando na rua e se me olham apenas ignoro. Ok, já posso respirar!

Uma das coisas que percebi é que mesmo quando essa gritaria capilar me deixava em desconforto eu não deixava ser abalado, ficava de cabeça erguida, impondo meu ruivo aos observadores de plantão. Isso me ajudou a levar mais firme!

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THIAGO BULHÕES: Foram aproximadamente duas semanas, muitas fotos e incontáveis apelidos (Hebe, Ana Maria Braga, Draco Malfoy, Carminha…). Não poderia ter sido mais divertido.

04.11.2014

Pulei alguns dias, pois basicamente se tratavam de um amor estranho pelo o cabelo alaranjado (desbotou e chegou ao tom que eu queria) e o anseio de estar de volta, e finalmente voltei aos meus castanhos. Contudo o tom avermelhado continua, ao menos não é um vermelho, apenas um chocolate com toques de avelã. Estou feliz por ter passado a experiência e feliz por estar de volta! Agora posso sossegar o facho.

THIAGO BULHÕES:  Daquela época, sobraram resumidamente duas lições. Mude seu cabelo sempre que quiser, por mais ridículo que a mudança possa parecer (afinal, ele é como capim: cortou, cresceu); e esteja disposto a amar e cuidar seu cabelo diferente, para que o surpreendente não se torne relaxo e destrua a magia do cabelo colorido.

Desde o início da aventura sabia que não iria me arrepender, gosto de experimentar, de tomar conclusões baseadas em minhas próprias experiências. O importante é participar. De fato, isso me trouxe coisas boas, mudança, vínculo afetivo para com meus cabelos, preocupação com a aparência, quebra de rotina e sobretudo um grande exercício de “tanto faz o que vão achar de mim, o importante é seguir a regra número 1 da vida: se divertir” (Marina and the diamonds curtiu isso).

De um amante de moda, para alguém que procura se vestir bem,
Guilherme Morais (Participação especial Thiago Bulhões)

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