Eu quem, Tabu?

Não encare! Não vista isso, é fora de moda! Não fale desta maneira, é coisa de drogado! Tire essas sandálias, você não é mendigo! Corte esse cabelo! Apare esta barba! Pinte as unhas, não… não dessa cor! Como você pode pensar desse jeito? Não pense, não pode! Não beba isso. Não coma aquilo! Emagreça, isso mesmo emagreça, mais! Ligue a televisão, mas mude esse canal! Não goste desse programa, nem do outro, esse horário o que interessa é este aqui! Cale-se. Compre isso, amanhã será aquilo! Não discuta! Jogue esse perfume fora, tem cheiro de pobre. E pare de fazer estes gestos, parece um velho louco! Não veja, não ouça, não fale, não pense! Não é permitido. Eu disse que não é permitido!

Eu quem?

Sem Título-1

 Julgados e pré-julgados por escravos de uma sociedade imaleável ao diferente, esses somos nós, os que tentam se desprender incansavelmente dos rótulos inseridos ao nosso cotidiano. Vítimas de xenofóbicos presos à uma ideia criada pelo o nada, por pessoas que entende-se como superiores a nós. Formadas para pensar por nós e formatar a moral social a seus moldes. Em uma cultura manipulada nas mãos de poucos, um monopólio cultural.

Não me entendam mal, eu sei que uma sociedade precisa de regras e as regras devem partir de alguém. E esse alguém, portanto, monopoliza as regras morais da espécie. O que eu critico aqui é a passividade com que grande parte desta espécie aceita isso.

Elas não pensam. Apenas aderem ao que lhes é dito e isso causa consequências exasperadas, espanando-se sobre a nossa realidade e cegando sobre o real contexto. E agora? As mulheres de respeito serão desrespeitadas por culpa das vadias oferecidas? As loiras serão pré-destinadas a serem burras porque Carla Perez uma vez respondeu ‘burramente‘ a uma pergunta em uma entrevista? Os homens serão todos cafajestes, porque existem aqueles que traem suas mulheres demasiadamente? E todos os gays serão escrachados e seres desrespeitosos movidos a sexo?

ativoxpassivo

A resposta a tudo isso é a mesma que apenas uma pergunta: “Quem é você?“. Uma pessoa boa, ruim, santa, biscate, infame, que apenas quer ser livre, que quer sexo o tempo todo, que gosta de rock, de pop, de rock e de pop, que venera a Xuxa, que ama Beatles, que usa roupas pelo o seu conforto, que segue a moda porque se interessa por ela ou qualquer outra característica pessoal que possa lhe descrever, não importa qual seja, indiferente às regras… Essa será a resposta a tudo isso!

Afinal, se você é do seu jeito, porque o outro não pode ser do dele. Ou então se você não é do seu jeito, por que deixa que um terceiro defina como você deve ser? E, mais, se uma pessoa julgada por um ato, outra pessoa com suas características devem ser pré-julgadas igual?

As pessoas estão tão ocupadas pensando no que os outros irão pensar, que se esquecem de tomar conta de suas próprias vidas da sua maneira. Elas vivem às sombras do que lhes é dito. Isso não significa que se você é um serial killer, têm o direito de sair matando as pessoas, primeiro que isso envolve outras vidas, cada uma deve fazer a alteração que achar necessária em sua própria vida e não na dos outros, segundo que vivemos em sociedade, os tabus devem ser quebrados, mas o respeito é algo que ainda deve existir. O outro deve lhe respeitar, você deve respeitar o outro e eu devo respeitar ambos.

Mas… Quem sou eu?

Se eu me chamasse Tabu, me suicidaria no momento de meu batizado, para o bem de todos. Mas meu nome é Guilherme Morais, engraçado, amado, teimoso, que ama Katy Perry, não muda a música quando Red Hot começa a tocar e não consegue ficar parado quando Spice Girls entram em cena. Sou um menino de 21 anos que estudo e trabalho, na esperança de um dia ser pai ao lado de alguém que eu realmente amo. Tenho uma coleção de gravatas borboletas, tenho paixão pelo estilo Preppy, mas também caio no encanto no estilo roqueiro. Sou comilão, magrelo e uso óculos com armação grossa de nerd. Sou feliz e se alguém vier me dizer o contrário, irei ter o prazer de colocar meus fones ao som de “Teenage Dream” enquanto penso no que irei comer ao chegar em casa, afinal, o que os outros pensam ou deixam de pensar sobre mim não é mais importante que meu lanche matutino diário!

Pelo desapego tabulado,
Guilherme Morais

foto padrão GUILHERME

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