Um homem chamado “Delírio”

Já começamos o aquecimento para mais uma edição da “Delírio” e, olha, entrar no clima dessa festa está mais fácil do que você imagina. Basta ligar a TV lá pelas 18h, 18h e pouco, e entrar no clima da novela “Meu Pedacinho de Chão”, uma novela toda viajada que, mesmo amargando baixos índices na audiência, está conquistando fãs ensandecidos pelas redes sociais afora. Mas, todo esse “delírio” é obra de um homem que já se deixa levar pelos devaneios da alma há algum tempo. Seu nome? Luiz Fernando Carvalho.

LuizFernandoCarvalhoGraciliano

Carioca da gema, Luiz Fernando Carvalho de Almeira nasceu no dia 28 de julho de 1960 (faz aniversário dois dias depois de mim, isso quer dizer que é mal de leonino ter a cabeça virada) e passou a infância entregue aos desenhos. Aos 18 anos, o então aspirante a diretor passou a estagiar em alguns trabalhos de cinema quando foi recrutado pela Usina de Teledramaturgia da Globo. A partir daí, dirigiu minisséries clássicas, como “O Tempo e o Vento” (1985), baseada na história de Érico Veríssimo, e “Grande Sertão: Veredas” (1985), baseada na obra de Guimarães Rosa.

Na década de 1990, Luiz Fernando passou para as novelas, onde se especializou na direção de temáticas mais rurais, digamos assim. Todas das 20h, o diretor participou de sucessos como “Pedra Sobre Pedra” (1992), do autor Aguinaldo Silva, e, como diretor geral, de “Renascer” (1993) e “O Rei do Gado” (1996), de Benedito Ruy Barbosa. Em “Renascer”, Luiz Fernando deixou os primeiros rastros da sua estética peculiar de direção, ao imprimir toda a vibração da Bahia na história que, não por acaso, se passava na Bahia.

Todo o requinte da direção de Luiz Fernando não o livrou de alguns fracassos. O mais traumático deles, a novela “Esperança” (2002), de Benedito Ruy Barbosa, fez com que o diretor se afastasse por 12 anos das novelas, se dedicando apenas às minisséries e seriados. É justamente nessa época que Luiz Fernando deu margem à imaginação e produzir obras que podem ser emolduradas. Quem não se lembra do projeto “Hoje é Dia de Maria” (2005)? Ou da adaptação de “Capitu” (2008)? E das contemporâneas “Afinal, o Que Querem as Mulheres” (2010) e noventista “Suburbia” (2012)?

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Enfim, chegamos ao nosso suprassumo das 18h, “Meu Pedacinho”. Mais uma vez trabalhando com Benedito Ruy Barbosa, Luiz Fernando conseguiu inovar ao trazer todos a aura mágica da infância em uma novela que em nada lembra novelinhas infantis. Contada como fábula, a história já está na reta final (termina no início de agosto). Mas é, sem dúvidas, um resumão daquilo que podemos esperar do nosso delirante Luiz Fernando: capricho, charme e, sobretudo, criatividade.

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Agora pode discordar de mim, eu gosto!
Thiago Bulhões

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