Seleção Divo Cafeína #1: Samba das cadeiras

Junho começando, e todos os nossos holofotes se voltam para a tão comentada Copa do Mundo. Como #vaitercopasim e não adianta espernear, durante esse tempo a coluna entra em stand by e volta com as críticas inflamadas no dia 14 de julho, depois da final em que o Brasil vai se consagrar hexacampeão. Enquanto isso, fique com as minhas seleções televisivas que vão deixar a sua Copa ainda mais legal.

Para começar, falemos de novelas. Um dos meus assuntos preferidos é acompanhar as escalações de times, ops, de elenco. Achar intérpretes para uma novela inteira não é fácil, logo, a troca de atores é perfeitamente normal. Listei aqui 10 situações, em que personagens icônicos foram, antes, de outros atores. Mais que dança, é um verdadeiro samba das cadeiras. E a gente começa com…

1. O Clone (2001)

Giovanna Antonelli estava ótima na pele de Jade, aquela que queimaria no mármore do inferno remexendo o quadril e balançando seu anel-pulseira. Mas, antes de Giovanna protagonizar aquele que provavelmente é o maior sucesso de Glória Perez, o papel era de Letícia Spiller. Em alta na época, depois de dois trabalhos de sucesso (a vilã Maria Regina, de “Suave Veneno“, e a doce Flávia Cristina, de “Esplendor“), a atriz declinou do convite para fazer teatro. Acabou na geladeira da Globo, de castigo, e só voltaria em 2002, em um fiasco do horário das 18h chamado “Sabor da Paixão” (você lembra? Ninguém, na verdade).

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2. Paraíso Tropical (2007)

Os grandes destaques de “Paraíso Tropical” foram, na verdade, interpretados por segundas opções. Alessandra Negrini, em sua estreia como protagonista do horário nobre, só ganhou o papel das gêmeas Paula e Taís depois da recusa de Cláudia Abreu. Grávida, Cláudia deixou a produção, obrigando Gilberto Braga a mudar, inclusive, o nome das personagens (elas se chamariam Liz e Liza). Já Camila Pitanga viveu Bebel depois que Mariana Ximenes não quis a novela, alegando cansaço por ter emendado vários trabalhos consecutivos. Perdeu um papelzão

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3. Quatro por Quatro (1994)

Um grande sucesso do horário das 19h, “Quatro por Quatro“, de Carlos Lombardi, contava a história de vingança de quatro mulheres que, por motivos distintos, se encontravam presas. Ali, na cadeia mesmo, cada um ficou responsável por vingar a outra, e aí se desenrolou o novelo. As quatro, originalmente interpretadas por Elizabeth Savalla, Cristiana Oliveira, Betty Lago e Letícia Spiller (estreando como a inesquecível Babalu), na verdade seriam de, respectivamente, Regina Duarte, Malu Mader, Vera Fischer e Adriana Esteves. Cada uma recusou por um motivo diferente, e acabou que o time foi inteiro mudado. Deu certo, mas a gente já imagina: essas quatro juntas fariam um estrago – no bom sentido, claro.

Letícia, Elizabeth, Cristiana e Betty

4. Avenida Brasil (2012)

Carminha, a diva, o ícone, a melhor, não poderia ser de outra atriz senão de Adriana Esteves, certo? Errado. A princípio, a personagem seria vivida por duas atrizes diferentes. Fabíula Nascimento daria vida à vilã na primeira fase da novela, enquanto Eliane Giardini cuidaria da segunda. Mudança de planos efetuada, a personagem caiu nas mãos de Alessandra Negrini. Por já ter feito uma vilã titular em novelas das 21h, passaram Carminha para Adriana Esteves, e o resultado foi o que nós já vimos. Garanto que Alessandra, se fosse Carminha, teria deixado a personagem imensamente mais má. E imensamente menos querida.

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5. América (2005)

Glória Perez bem que tentou, mas não conseguiu trazer Rodrigo Santoro de volta ao Brasil, quando ele ainda engatinhava na carreira internacional (engatinha até hoje, mas ok). O ator foi a primeira opção da autora para viver o caubói Tião, no mega sucesso das 21h. Com a recusa de Santoro, que enviou um buquê de rosas para Glória como agradecimento pelo convite, a autora colocou Murilo Benício para fazer o peão que, em um feito raro, não ficou com a mocinha da novela no final – a sussurrante Sol de Deborah Secco.

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 6. A Próxima Vítima (1995)

O primeiro assassinato da novela começou ainda na fase de pré-produção. Regina Duarte, escalada para viver a batalhadora Ana, já tinha até começado a fazer laboratório em pizzarias de São Paulo para interpretar a cozinheira quando Manoel Carlos capturou a atriz. Com isso, Regina deu lugar à Susanita Vieira, e foi de encontro a sua primeira Helena: a de “História de Amor”, novela das 18h que estreou três meses depois de “A Próxima Vítima“. Enquanto isso, Susana transformou a sua Ana, mineira de nascença, em uma italiana de mão cheia. Não sei como ninguém da produção não reparou no sotaque.

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7. Dancin’ Days (1977)

A briga das irmãs Júlia e Yolanda, pelo amor de Marisa, a filha de Júlia criada pela tia, foi o mote central da épica “Dancin’ Days”. Sônia Braga, a Júlia, Joana Fomm, a Yolanda, e Glória Pires, a Marisa, deram um banho de interpretação. Mas, por muito pouco esse trio não foi totalmente diferente. A princípio, Júlia seria de Betty Faria, que recusou antes do início das gravações. Já Yolanda seria da saudosa Norma Bengell, que até gravou algumas cenas, mas se desentendeu com a produção e vazou. Por fim, Marisa seria de Lídia Brondi, mas com a mudança de atriz que viveria Júlia (Sônia é anos mais nova que Betty e Lídia, anos mais velha que Glória), Lídia vai remanejada para o papel de Maria Lúcia, uma jovem pobretona e sonhadora, que disputa com a Marisa de Glória Pires o amor do Beto (Lauro Corona, lindíssimo).

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8. Insensato Coração (2011)

Um dos casos mais conhecidos de substituição de eleno, “Insensato Coração” começou com a substituição de dois dos principais personagens: a mocinha e o vilão. Ana Paula Arósio, escalada para viver Marina na novela de Gilberto Braga, simplesmente abandonou a produção, deixando todos de cabelo em pé (até hoje o diretor, Dennis Carvalho, não perdoa a atriz, a quem chama de desequilibrada). Paolla Oliveira foi a solução encontrada – solução essa que não deu certo, Marina era uma chata. Já o vilão Léo, inicialmente de Fábio Assunção, passou para Gabriel Braga Nunes depois que Fábio precisou tratar o vício nas drogas. Gabriel deu conta do recado, e Fábio voltou com tudo em “Tapas e Beijos”.

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9. Em Família (2014)

O mais recente caso de samba de elenco aconteceu nesse ano, durante a escolha da atriz que interpretaria a fotógrafa Marina na atual novela das 21h. Inicialmente de Alinne Moraes, que deixou a novela após se descobrir grávida, Marina passou por uma série de mãos até chegar em Tainá Muller. Primeiro foi de Andreia Horta, que estrearia em “A Teia” pouco tempo depois do começo da novela. Depois, foi de Regiane Alves, que também engravidou. Juliana Paes e Mel Frockonwiak foram testadas, mas o papel acabou mesmo nas mãos da delicada Tainá Muller.

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10. Roque Santeiro (1985)

O maior sucesso da teledramaturgia nacional também teve seus dias de confusão. Para quem não sabe, a novela seria exibida originalmente em 1975, mas a censura impediu a paródia do Brasil no horário nobre (porque será…). Lima Duarte, Betty Faria e Francisco Cuoco, que viveriam respectivamente Sinhozinho Malta, Viúva Porcina e Roque Santeiro, foram remanejados para a novela substituta, “Pecado Capital”. Dez anos depois, desse time, só Lima Duarte aceitou participar da nova versão. Ficou sob responsabilidade de Regina Duarte dar vida à icônica Porcina, e José Wilker (sdds), ao charmosão Roque Santeiro.

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Com incesto, vingança, neonazismo, Thalia e provocações à Globo no cardápio, estreia hoje “Vitória” (seg. à sex., 21h15), a nova novela da Record. De Cristianne Fridmann (“Chamas da Vida”, “Vidas em Jogo”), a novela tem a difícil missão de recuperar a audiência da teledramaturgia recordiana, em baixa desde “Máscaras”, de 2012. Não acho que, às vésperas de Copa do Mundo, a novela emplaque. Veremos…

Ainda falando sobre novelas, após o fim da Copa vai acontecer uma verdadeira maratona de estreias na Globo. Dia 14 de julho, um dia depois da final, começa “O Rebu”, a nova das 23h. Uma semana depois, no dia 21, é a vez de “Império”, substituta de “Em Família” (encurtada mais uma vez por causa da baixa audiência). Enfim, dia 11 de agosto, é a vez de “Boogie Woogie” entrar em cartaz no horário das 18h.

Segundo semestre chegando, começam as especulações sobre quem irá compor o bizarro time de mais uma edição do reality “A Fazenda”, da Record. Em sua sétima edição, a produção bem que tenta manter os nomes das celebridades em sigilo. Mas alguns já começam a ventilar. Por enquanto, já temos a ex-panicat Babi Rossi, Ariany Nogueira, a latinete baleada no silicone, Tony Salles e a ex-amante Kamylla Simiony, Simony, Sérgio Hondjakoff, o eterno cabeção, Solange Gomes e a ex-paquita Cátia Paganote. Timão, hein.

Indicação do ~~~leitor~~~ 

“Reservadas minhas críticas à Rede Globo de televisão e seus ideais, nestes últimos dias ‘Meu Pedacinho de Chão’ (seg. à sab., 18h15), a novela escrita por Benedito Ruy Barbosa, vem chamando minha atenção. De todas as novelas das quais já retive alguns olhares, é a primeira vez que percebo uma produção do horário que não se preocupa apenas com o corpo ou com o ideal de beleza humana. Posso afirmar ainda ser a primeira novela que contempla maior parte do seu conteúdo como propício ao público infantil, que toma conta da sala nestes horários mais nobres para a televisão. O que se esperar de uma cidade cenográfica produzida com latas, de animais de brinquedo e de roupas exuberantes se não a impulsão do mundo imaginário da criança e até mesmo do adulto? O público é levado a observar os detalhes e a essência do que há a sua volta, não sua usabilidade ou apenas sua aparência. Alguns processos de libertação e de metamorfose também chamam a atenção. Penso, entretanto, que toda imaginação deve ser permeada por boa orientação. Vale um copo de café, um colo para carinho, meia hora ou dez minutos sentados no sofá, em família, para ver o desenrolar da história. Não vale apenas medir a vida pela imaginação, é preciso diferenciar e saber que na vida real os fatos são como são e não como na televisão.”

Rodrigo Rosalino, 24, estudante de pedagogia.

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APLAUSOS para “Pecado Mortal”, a novela de Carlos Lombardi (“Quatro por Quatro”, “Pé na Jaca”) que chegou ao fim na última sexta-feira (30), na Record. Como toda novela da emissora, sofreu uma série de problemas que poderiam ser evitados. Mesmo assim, deve ser aplaudida pelo enredo inovador, ambientação inédita (os anos 1970) e elenco afinado. Se não fosse na Record, nem tivesse tido tantos problemas (como mudança de horário e baixas no elenco), seria um novelão.

TOMATES para a edição da reprise de “Dancin’ Days” (seg. à sab., 0h), no Viva. A edição exibida não é a original de 1978, mas sim uma versão vendida para o exterior. Por mais que o andamento da novela não tenha sido prejudicado, como garante a assessoria do canal, continua dando aquela sensação de “Vale a Pena Ver de Novo”.

Considerações finais...

Esse ano não está para brincadeira. Agora, foi a vez do jornalista Maurício Torres partir dessa para uma melhor. Apresentador do “Esporte Fantástico” (Record, sáb., 10h15), Maurício morreu no sábado a noite, por complicações no coração. Começou a carreira em TV na Globo, em 1996, onde ficou até 2005, quando se transferiu para a nova emissora. Mais um que se vai #RIP

Agora pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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