Faca na língua!

Desde que assumiu a apresentação do “SBT Brasil”, em 2011, a jornalista Rachel Sheherazade se transformou em uma espécie de anti-heroína do jornalismo brasileiro. Na bancada, Rachel (e seu colega de apresentação, Joseval Peixoto), tinham liberdade para discorrer (eufemismo para cacetear, sejamos realistas) sobre os mais variados assuntos – desde que estivessem linkados com o que é exibido no jornal. E assim foi. Ao longo dos anos, ao contrário do seu inexpressivo colega de bancada, Rachel abriu as asas e soltou as feras no telejornal. Sempre com opiniões polêmicas, a jornalista ganhou, aos poucos, a admiração de alguns e a antipatia de muitos, ao criticar o laicismo (quando a frase “Deus seja louvado” ganhou torcida para deixar as notas do Real, sob alegação de que vivemos em um estado laico), defender o pastor, deputado e insano Marco Feliciano, sugerir que os Direitos Humanos, na verdade, só defendem bandidos, entre outros converseiros.

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Pessoalmente, não concordo com nada do que Rachel fala em seu jornal. Sequer acompanho o “SBT Brasil” – fico sabendo dos fuzuês quando eles ganham a internet, aí sim passo a acompanhar. Mas, confesso que admiro a jornalista enquanto formadora de opinião. Sejam asneiras ou não, os comentários de Rachel sempre são bem embasados, portanto, merecem pelo menos a atenção do telespectador. Digo mais: acho que nenhum comunicador desse país faz melhor uso do termo “liberdade de expressão” do que ela. Ou fazia.

O comentário de Rachel demonstrando apoio aos “justiceiros” que capturavam bandidos e os linchavam rendeu muito mais do que críticas no âmbito da internet. Por pouco, o SBT não perdeu os investimentos publicitários injetados pelo governo (um valor que gira em torno dos R$ 150 milhões). Além disso, dois partidos entraram com uma representação contra a jornalista. O PCdoB e o PSOL alegavam “apologia ao crime”. Por fim, a emissora de Sílvio Santos ainda ganhou uma investigação da Procuradoria Geral da República. Todo esse coquetel de ameaças veladas à emissora culminou com o afastamento da jornalista por 15 dias – justificado por férias – e o fim dos comentários feitos por ela no “SBT Brasil”. No ar novamente desde o último dia 14, a jornalista agora teve sua língua dobrada pelas pressões comerciais que dominam a TV brasileira.

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Por mais que fossem impropérios, os comentários de Rachel faziam o que nenhum outro veículo consegue fazer com eficiência: colocavam o público para pensar – nem que fosse apenas para achincalhá-la. As pressões do governo (e dos partidos de esquerda, muitas vezes no auge do seu extremismo ideológico) deixaram bem claro que, por trás dos conceitos de combate às apologias, há uma censura velada, que pode ser ativada a qualquer momento, para evitar maiores incêndios que prejudiquem o comodismo que está o pensamento do brasileiro.

O eterno bad boy Dado Dolabella mostrou, mais uma vez, que não nasceu para o convívio em sociedade. Escalado para ser um dos protagonistas da próxima novela da Record, “Vitória” (sem data de estreia definida), o ator armou o maior barraco e bateu em um dos produtores da novela, durante as gravações no Caribe. O destempero fez com que Dadinho fosse desligado da trama – mesmo antes dela começar.

Falando em frustrações, a Globo segue com a ideia fixa de lançar uma nova Grazi. A ex-BBB escolhida da vez é Letícia, que se destacou no reality após seduzir diversos homens na casa. O contrato da participante foi estendido por mais um ano. Rumores dão conta de que a participação de Letícia no “Zorra Total” (sáb., 22h20) agradou.

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Mais frustrações: pelo jeito, os fãs de “Cobras e Lagartos”, sucesso das 19h exibido em 2006, vão ter que esperar o Viva reprisar a novela. Tudo isso porque a novela, de João Emanuel Carneiro (“Avenida Brasil”, “A Favorita”) está sofrendo problemas com o Ministério da Justiça, que teima em classificá-la para maiores de 12 anos. Poxa.

Indicação do ~~~leitor~~~

“Não sou muito de assistir programas, prefiro canais de filmes. Porém, o dia que fico mais em casa é sábado e sempre rola um ‘Estrelas’ (Globo, sáb., 13h45). Passa num horário em que estou bem tranquila, e acabo assistindo. Também gosto de saber da vida dos famosos, e acho uma atração bem dinâmica.”

Priscila Stadler, 20, estudante de jornalismo. 

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APLAUSOS para a nova abertura do “Esquenta!”. O elogio é tardio, mas não perdeu a validade. A vinheta está melhor do que nunca: moderna, trazendo com maestria os elementos do programa, de um jeito todo cool. Para coroar, o samba cantado por Arlindo Cruz ganhou uma mixagem incrível. Vale a pena conferir!

Sem título

TOMATES para o rodízio de novelas nas tardes do SBT. São quatro novelas seguidas, todas estrangeiras e de pouca duração. Não bastasse a cafonice das tramas (“Café com Aroma de Mulher” é a mais tosca – a começar pelo nome…), elas começam e terminam a todo tempo, e quando o telespectador pisca, uma nova atração já está sendo anunciada à exaustão. É enlouquecedor.

Considerações finais…

A coluna lamenta a morte do narrador Luciano do Valle, acontecida no último sábado. Ele foi um ícone do jornalismo esportivo, tendo grande importância não só na TV (especialmente na Band, onde estava desde 1983 e virou marca registrada), mas também do rádio. Uma pena ter se despedido antes de assistir a Copa desse ano, em terras tupiniquins.

Agora, pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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