Nada se cria, tudo se adapta

Eu contei. Dentro da grade de programação do GNT, onze pessoas são responsáveis por programas de culinária. A lista reúne chefs internacionais (como os popstars Jamie Oliver e Nigella Lawson), nutricionistas (como a recém-chegada Bela Gil), nomes da culinária brasileira (como Rita Lobo e Olivier Anquier) e até gente que cozinha por hobby (caso do ator Rodrigo Hilbert). Além da vasta galeria de “cozinheiros”, o GNT ainda conta com atrações voltadas à moda, beleza, dicas para a casa, comportamento, entrevistas, além de seriados. Em comum, os programas contam com o caráter feminino, instituído na programação do canal desde 2003, quando o GNT foi inteiramente reestruturado para esse público.

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O curioso é notar que a fórmula que hoje alavanca o GNT como um dos principais canais da TV a cabo é, justamente, uma receita desgastada que perde espaço continuamente na TV aberta. Os programas femininos nasceram no início dos anos 1980, com a inovadora e visionária “TV Mulher“, da Globo. A partir dessa ocasião, as emissoras concorrentes passaram a apresentar as opções para o público feminino. Ao longo dos anos, esse tipo de programa de variedades foi responsável por lançar nomes hoje consagrados da TV brasileira, como Ana Maria Braga, Claudete Troiano, Sonia Abrão, entre outras apresentadoras. Mas, todos esses anos de glória parecem ter acabado – pelo menos nos canais da TV aberta.

Aos poucos, as atrações foram minguando, até quase desaparecerem. A Globo ainda investe na fórmula, com o “Mais Você” e o “Encontro“, mas os resultados são medíocres. O SBT já deixou o barco há tempos. A Band, com o “Dia Dia” (em crescente diminuição), e a RedeTV!, com o “Morning Show” (uma vergonha…) ainda resistem, mas dando a impressão que só produzem tais programas apenas para permanecerem na competição entre as emissoras. É a Record que, hoje, produz o melhor dos programas femininos da manhã: o “Hoje em Dia“, no ar há quase dez anos, ainda consegue repercutir e atrair a atenção do público. Já as tardes, antes um horário reinado pelo clássico “Note e Anote”, da Record, hoje só tem no veterano “Mulheres”, da Gazeta, um representante de peso da classe dos femininos.

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Pelo que se pode notar, o GNT acertou em cheio ao diluir a fórmula dos femininos, condensada em um ou dois programas por emissora, dentro de toda a sua programação. O caráter segmentador da TV a cabo é cada vez maior, logo, faz todo o sentido apostar nesse público. Outro diferencial do GNT sobre os programas da TV aberta é o tratamento da informação. Se nos programas as mulheres eram tratadas como donas de casa com tempo de sobra para artesanatos e peripécias na cozinha, no GNT as mulheres são vistas como pessoas ocupadas, mas que ainda assim querem manter a feminilidade da vida doméstica em alta. É nesses aspectos que a frase do saudoso Chacrinha, devidamente adaptada para os dias atuais (e que dá título a esse texto), se encaixa perfeitamente. Na TV nada se cria, tudo se copia. E se adapta.

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 Tem chamado a atenção da imprensa a ausência de informações a respeito de “Geração Brasil“, próxima novela das 19h. Ao contrário de sua sucessora, “Búu”, pouco se sabe a respeito da produção, com estreia prevista para maio. Esse expediente curioso já foi utilizado antes pela Globo. Em 2012, “Avenida Brasil” era abafada por “Cheias de Charme“.

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Falando em “Búu”, a escalação dos protagonistas tem sido uma novela a parte. A mocinha já passou pela mão de três atrizes – agora é de Paolla Oliveira. O mocinho passou por dois – agora, fala-se no então vilão da novela, Sérgio Guizé, para o papel. E a vilã, que seria responsável por estrear Monica Iozzi nas novelas da Globo, agora é de Claudia Raia.

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Vai ter mais gente levantando da cadeira para apresentar telejornal. Depois do “Bom Dia Brasil”, do “Fantástico” e dos jornais estaduais e regionais, os próximos a ficar em pé vão ser Sandra Annemberg e Evaristo Costa. O novo cenário do “Jornal Hoje” será apresentado no início de abril, junto com o lançamento da programação de 2014 da Globo.

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APLAUSOS para a promoção de Amora Mautner (“Avenida Brasil”, “Joia Rara”), José Luiz Villamarim (“O Canto da Sereia”, “Amores Roubados”) e Mauro Mendonça Filho (“O Astro”, “Amor à Vida”) a diretores de núcleo da Globo. Os três são fenomenais, merecem a nova colocação e foram responsáveis pelo sacode que inovou as direções as produções da emissora.

TOMATES para a overdose de Regina Duarte no Viva. Ela está no ar (e protagonizando!) diariamente a novela “História de Amor” e o seriado “Retrato de Mulher”. Aí, nos finais de semana, é a vez do clássico “Malu Mulher” entrar em cartaz. Sem querer, nem de longe, questionar os méritos da atriz, mas é demais.

Considerações finais…

Tenho me espantado com o favoritismo que Marcelo tem apresentado no BBB 14. O cara é completamente dispensável e cansativo: dá chiliques, é imaturo, barraqueiro e irritante. Fora a necessidade de afirmar, a todo tempo, o quanto é um sujeito franco e verdadeiro, doa a quem doer. Pensando com os meus botões, creio que a tal predileção do participante pelo público se assemelha ao favoritismo de Ana Carolina, do BBB 9. Só que, naquela época,  apesar dos defeitos da moça, Ana era realmente incompreendida. Marcelo é chato mesmo e, sabe-se Deus porquê, está prestes a ganhar. Ainda dá tempo de fazer alguma coisa, Brasil!

Agora pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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