Literalmente em família

Pouco mais de um mês depois da estreia, já é possível reconhecer com firmeza quais são os pontos fortes e fracos de “Em Família”, produção que entrou em cartaz no horário nobre global no último dia 3 de fevereiro. A novela já começou com status saudosista. É a última do veterano autor Manoel Carlos, que, por causa da idade avançada, resolveu deixar o desgastante gênero das telenovelas. De fato, encarar a maratona diária de escrever folhas e folhas durante quase um ano é um desafio no qual Maneco, como é carinhosamente chamado, já pode dispensar.
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É impossível não se sentir em casa ao ver “Em Família“. A novela oferece um respiro dos ágeis folhetins que tomaram o horário das 21h desde a inovadora “Avenida Brasil“,  de 2012. Desde a épica guerra de Nina e Carminha não se via uma novela tão despretensiosa, tanto nos sentidos técnicos (enquadramentos, trilha sonora e direção), quanto no sentido da história. “Em Família” quer apenas emocionar e promover o questionamento, sobretudo, interior do telespectador – coisa que Maneco sabe fazer como ninguém.
As características do autor estão bem demarcadas na obra. Além da tradicional Helena – dessa vez, interpretada por uma inspirada Julia Lemmertz -, há os marketings sociais (Alzheimer e alcoolismo, outro tema recorrente nas novelas de Maneco), os diálogos longos e bem escritos e os personagens humanos e bem delineados. O velho Leblon também está lá, junto com os clássicos da bossa nova. E, especialmente para quem é fã do autor, ainda é possível reviver algumas tramas de outras novelas reeditadas nessa, sem ter cara de cópia. Para os observadores de plantão: até a abertura parece uma homenagem (vide “Por Amor”, de 1997).
De modo geral, a novela não apresenta grandes erros. Exceto o descompasso de idades de alguns atores, os dispensáveis “Momentos Em Família” que encerram os capítulos, e a finada e cansativa primeira fase, “Em Família” é uma novela agradável de se assistir. Conserva o que Maneco sabe fazer de melhor, e mostra para público e crítica que novelões mais, digamos, conservadores, ainda são capazes de entreter com competência.
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A segunda-feira será movimentada no SBT. Além da estreia de Danilo Gentili com o seu “The Noite” (0h), ainda há a volta do “Caso Encerrado” (13h30), um programa de barracos importado e dublado (coisas de SBT…) e a reestreia do meu querido “Casos de Família” na grade diária (14h30). Ou seja: o barraco é o prato principal.
Já na TV a cabo, quem domina as estreias dessa segunda é o Viva, que volta a exibir o “Cassino do Chacrinha” (20h30) e estreia “História de Amor” (15h30), novela de Manoel Carlos, responsável por dar a Regina Duarte sua primeira – e mais chata – Helena.
Programa da Sabrina“. Esse será o “criativo” nome do programa de Sabrina Sato na Record. O martelo foi batido pelo diretor artístico da emissora. O “Programa da Sabrina” tem estreia prevista para 5 de abril, um sábado, às 20h30.
APLAUSOS para o Girl Power na programação da Globo nesse último sábado, especialmente pela apresentação exclusivamente feminina do Jornal Nacional. Foi apenas um detalhe, mas que fez toda a diferença no jornal.
TOMATES para Reynaldo Gianecchini, o Cadu de “Em Família”. Não basta o personagem ser um mala, Reynaldo ainda não convence como o coroa com espírito de garotão. Vê-lo na situação ainda nos deixa com mais raiva do personagem.
Agora pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões
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