Chá de cogumelo

Ah, a mente, essa brincalhona. Desde os primórdios da humanidade, o homem brinca com os efeitos e sensações produzidas pela própria mente. Na Idade Média, experiências mentais levavam à fogueira. Hoje em dia, levam ao prazer, à descoberta – interior e exterior. Anos de repressão mental levaram a sociedade, há pouquíssimo tempo (se considerarmos a cronologia histórica, que divide o mundo em eras geológicas) a se libertar.

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A raiz do movimento psicodélico se deu nos rebeldes anos 1960, com o advento do movimento hippie. Toda a paz e amor pregada pelos largadões, na verdade, foi uma das mais acaloradas reações aos fundamentos predatórios do capitalismo e afins. E, eis que surgem os dois fatores que mais marcaram o movimento psicodélico até hoje: as drogas e a música.

O naturalismo de chás alucinógenos serviu, inicialmente, para viagens repletas de cores vivas e formas sinuosas – que, por sua vez, serviram de base para a arte característica desse período. Quem imaginaria que, tempos depois, toda essa natureza inspiraria a criação de alucinógenos sintéticos extremamente mais poderosos? (Eu, não)

Já a música foi a principal representante dos movimentos artísticos que permearam a época. Não pararam de surgir bandas e mais bandas, que sintetizavam (e perpetuavam) em letras e melodias, toda a essência do movimento. Só para citar algumas: The Doors (com a voz grave e o sex appeal de Jim Morrison), Janis Joplin (com a aparência riponga e os agudos estridentes), Jimi Hendrix (o mago das cordas, que dispensa adjetivos), entre outros que compõem uma geração musical bem distante e diferente da psicodelia que estamos acompanhando atualmente.

Toda a simplicidade de outrora hoje se condensa na artificialidade que tenta, com desespero, ser um pouco do que o movimento já foi. As drogas sintéticas, que, na verdade, nada mais é do que uma injeção desumana de substâncias, que provocam as sensações de loucura, não consegue trazer consigo toda a reflexão produtiva que, em outra ocasião, era adquirida à base de ervas cultivadas na horta da avó. Já a música, bem… Um eletrônico competente, respeitando às normas das infinitas batidas por minuto, até que alucina. Mas, sem algum impacto, funciona apenas dentro de determinado contexto. Ou alguém aqui ouve eletrônico enquanto estuda, ou trabalha?

Já que nada será como antes, e a psicodelia fake domina nossos corpos e referências externas, o negócio é se contentar o que se tem. Ninguém fará melhor. Ninguém quer fazer melhor.

Agora, pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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