Roaring Twenties

Ah, os anos 1920… Reza a lenda (e os bisavós) que, nessa década quase centenária, a palavra de ordem era EXCESSO – assim, em letras maiúsculas mesmo. Muito brilho, muito glamour, muita festa, muita bebida – destilada, de preferência. As mulheres deixavam a prisão dos cabelos longos de lado para adotar um corte Chanel, tomando o cuidado de manter as pontinhas levemente curvadas para fora do rosto. Já os homens, esses seres tão indomáveis, se mantinham com uma barba bem feita, um cabelo bem cortado e modelado à base de (muito) gel. Tanta intensidade assim se explica de forma muito fácil, se nos apropriarmos do contexto histórico em que a década se situava.

Foi durante os Roaring Twenties (expressão classuda em inglês que apelida a década de 1920) que o mundo viveu um de seus mais intensos processos de ruptura com o comportamento antigo. Culturamente – sempre a cultura a provocar revoluções –, o mundo viu florescer uma série de artistas, fundamentais para a formação do processo cultural vanguardista que temos hoje. Fora do Brasil, o cinema se modernizava, construindo a, até hoje resistente, aura de glamour que envolve os artistas das telonas. Já aqui dentro, um bando de doidos (ou santos?) se reuniu para realizar a Semana de Arte Moderna – bem no comecinho da década (em 1922): um evento sem precedentes que consolidou a liberdade artística dentro do país.

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Ensaio feito por Guilherme Morais

Definitivamente, os anos 1920 não são qualquer década. Explorar os acontecimentos da época faz com que se sinta a brisa de liberdade, modernidade e frescor que, mesmo 90 anos depois, ainda permanece pairando no ar. Em tempos de resgate quase que integral de épocas passadas, porque não nos apropriarmos dos anos 1920 também? Um pouco de brilho, luxo, ostentação sob medida e boemia não faz para ninguém. Ah! Quer mais um motivo para amar ainda essa década? Se você é admirador de lindas histórias que terminam em tragédia, mas sem conservar uma carga fúnebre sobre si, vai saber que toda essa década de intensidade terminou, em 1929, com a grande depressão econômica considerada o pior período econômico do século 20. Para o bem e para o mal, ainda não houve tempo mais cheio de excessos do que esse.

Agora, pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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