Só Não Há Perdão Para o Chato

Na última semana, twitteiros (e amantes de sites de fofocas) assistiram ao barraco cibernético protagonizado pela jornalista Carla Vilhena e pelo… Pelo… Ah, por Bruno Chateaubriand. O conflito começou quando Bruno, ao assistir a reportagem produzida por Carla para o “Fantástico” sobre o casamento dos funkeiros Naldo e Mulher Moranguinho, comentar com ironia:

“A Carla Vilhena entrevistando a Moranguinho? Perfeito! Essa jornalista casou de luvas. Será que a Moranguinho vai casar de luvas também?”

Carla, sutilmente, respondeu ao comentário do moço:

“Na impossibilidade de ser a noiva, restou-lhe implicar com as luvas.”

Pronto. Era o início de uma guerra, em que Bruno chamaria Carla de – entre outros adjetivos – homofóbica. Afinal, que calúnia responder um comentário em que um mauricinho menospreza o trabalho com uma elegante ironia que, nem de longe, faz referências à condição homossexual do indivíduo.

brunocarla

A atitude de Bruno faz refletir que estamos prestes a tomar um caminho inverso de repressão. Se, outrora, fazer qualquer comentário pró-gay era motivo de bafafá entre a geral, hoje, qualquer comentário, independentemente da categoria, é chamado de homofóbico. Um homossexual não pode ser atacado, nem respondido, pois já alega que vive em uma sociedade preconceituosa.

Nem de longe isso se trata de uma generalização. Mas é triste assistir alguns membros de uma fatia sempre tão marginalizada pela vida utilizarem a diferença – que é o que os embeleza ainda mais – para se defender de atos que não merecem defesa. O fuzuê promovido por Bruno é apenas um exemplo do quanto alguns gays ainda precisam abrir a mente para a própria homossexualidade e reconhecer que gostar de homem e mulher é apenas um detalhe – muito diferente da concepção de um comportamento. Bruno falou o que quis, ouviu o que não quis, se embananou numa discussão sem fundamento e ainda tentou se retratar em um texto sem pé nem cabeça, publicado pelo seu blog. Carla, elegantíssima, ficou na dela, se recolheu, e saiu como vitoriosa. Sem ser chata: seu bom humor ao responder as colocações de Bruno estão aí para provar isso.

Não vamos permitir que rebobinem a fita e voltem ao que era antes. Está tudo tão legal assim, poxa… Espalhemos bom humor em vez de chatice. Mais Carla, menos Bruno!

P.S.: O título desse texto é uma discreta homenagem ao meu ídolo Cazuza, que ontem completou 23 anos de estrelato absoluto no céu. Ele deve assistir essas patacoadas todas e dar boas risadas com isso tudo.

Anúncios