‘Não Comerei Nem Beberei Destas Marcas’

Como ja foi tratado no blog, pelo divo Thiago Bulhões  e, também, por mim, o assunto em pauta da atualidade tem sido a série de manifesto produzidas em todo o país pela insatisfação da população referente ao governo e suas decisões. E, para isso, as pessoas tem se apegado ao argumento da falta de verba disponível para saúde, educação e derivados e, ironicamente, a verba de tantos bilhões para a copa mundial.

Apegando-se a esse argumento e guiando este texto para outro segmento em relação aos últimos abordados leva-se a pensar nas tantas marcas que estão apoiando o evento. Como elas ficam? Que imagem elas passaram a ter após o tal evento ser julgado desnecessário e sugador das verbas governamentais que deveriam ser destinadas aos tantos outros órgãos que imploram por ajuda e tem, evidentemente, uma função muito mais concreta para os cidadãos?

Afinal não é algo positivo o vínculo da marca a algo que está sendo mal visto ou desapoiado pela sociedade consumidora! Principalmente com a evidência das revoltas em meios midiaticos devido ao seu dinamismo aderido.

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Pensando nestes questionamentos e nas vias que eles podem levar, busquei opiniões de profissionais da área de publicidade e propaganda para responder com maior teor de certeza.

“Acredito que as marcas não sejam atingidas por aspectos negativos, uma vez que o povo reclama pelo gasto exagerado com o evento dos jogos e não propriamente com os jogos. O dinheiro gasto com obras e divulgação em TV, rádio e Internet, com certeza seria bem menor se muitos políticos e demais envolvidos não tivessem se aproveitando do dinheiro público.” afirmou Emerson Andujar, professor de Comunicação da Unicesumar.

“Não acho que o povo brasileiro deixará de tomar Coca-Cola ou irão cancelar suas contas no banco Itaú por serem patrocinadores. Mesmo porque, essas grandes marcas já possuem posicionamento na mente do público e produzem comerciais persuasivos, às vezes até ‘superproduções’, mexendo com o imaginário, através de aspectos psicológicos, que possuem grande poder de envolvimento.” acrescentou ele.

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“A construção de uma marca não se dá somente por um evento ou fato relacionado da sociedade. Lógico, que um fator negativo pode sim prejudicar o trabalho de anos da comunicação e do marketing no posicionamento de uma marca. Porém, toda a imagem que o consumidor possui de uma marca, foi construída com anos de investimento publicitário e de marketing. O que precisamos analisar nesse momento é a visão do consumidor. O que está sendo questionado?

O problema está na realização do evento Copa do Mundo, pensando nos jogos e no entretenimento? Ou na infraestrutura que está sendo construída?

Muitas vezes o consumidor pensa somente no resultado final, que seriam os jogos e a possibilidade da seleção brasileira ser campeã da Copa. E consequentemente na sua felicidade e na festa em que isso resultará.

E por vezes, se esquece do transtorno e investimento que isso resulta a todos,  o que é muito clássico na área de prestação de serviços. Analisa-se somente o resultado final, sem perceber a importância do processo.

As marcas estão muito associadas ao evento em si, e não ao processo de construção dos estádios e locais necessários para a realização da Copa. Até porque, as empresas não realizam sua publicidade em cima da infraestrutura do evento, mas no resultado futuro esperado, ou seja, na festa que o torcedor terá.

Em nenhum momento a população se manifestou contra os patrocinadores, somente contra o governo. A verba que vem sendo questionada está relacionada aos gastos governamentais, que saíram do bolso da população. E aqui, volto a levantar a falta de entendimento do consumidor nas empresas prestadoras de serviços, quando analisam somente o resultado final.

Acredito que, apesar de todas as manifestações contra a Copa, a população não está questionando o evento em si (jogos, festas e dias sem trabalho ou aula, que infelizmente são pensados como positivos pela população), mas sim o desvio de dinheiro na construção dos espaços para os jogos. E como essa verba está na mão do governo, será ele o responsável por responder por isso.

Falando na visão publicitária  até o momento só vi marcas ‘ganharem’, como foi o caso da FIAT, com o mote da campanha ‘Vem pra rua’.

Agora é esperar para ver… e lógico, como sempre digo em sala aos meus alunos, toda empresa deve se preparar para as variáveis de mercado incontroláveis (macroambientes). Mesmo que a culpa esteja sobre o governo, por enquanto, é preciso estar pronto para qualquer ameaça ou oportunidade que possa surgir. Então…. muito planejamento e muita estratégia de mercado!” Cláudia Batistela, publicitária.

Unânime a opinião dos profissionais de propaganda é que estes manifestos não terão reflexo nas marcas patrocinadoras. Pensei até que surgiriam marcas com posicionamento contrários a copa (mas com certeza seria um ideal muito alienado e poderia dizer boêmio).

Enfim seguindo essas vertentes a publicidade investida como patrocínio na copa do mundo certamente terá seu retorno no fim das contas com a (esperada) comemoração final. Onde insucesso do governo, desrespeito populacional e direitos humanos estarão descansando, dando lugar a uma felicidade comum em que todos do país estarão envolvidos em uma mesma festa/razão – o Brasil campeão.

Um case e um café, por favor. Beijos com cafeína,
Guilherme Morais

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