Uma Ode ao Barraco!

Há quem diga que barraco é coisa de pobre, de gente sem categoria. Sabe aquela cabeleireira de voz grossa, fumante, que faz unha da vizinhança por R$ 5? Então, ela provavelmente gosta de um barraco – gosta e faz. Já aquela senhora nobre, de cabelos com altura média, de cor louro-médio e que usa saltinho médio não, essa não gosta de barraco. Aposto que ela nem chama barraco de barraco, porque barraco denota pobreza. É confronto que se diz, confronto exaltado. Qual será o fim das duas senhoras? Ambas têm grandes chances de morrer de câncer, mas a senhora fina bem mais. Porque para a primeira, basta parar de fumar para que evite a doença. Já a segunda… Essa, se continuar engolindo sapos, corre grandes riscos de acabar na quimioterapia – afinal, já está mais do que provado que o câncer é causado, dentre outros fatos, pelo emocional humano.

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Eu sou daqueles que defende que uma boa briga é a melhor terapia. Desde que não haja confronto físico – porque esse te mandaria para outro tipo de terapia, a FISIOterapia -, qual é a razão de evitar? Vivemos em uma época que se prega, inutilmente, a primazia da verdade. Torna-se algo incoerente com os nossos ideais perecer em brigas veladas, intriguinhas bestas, comentários à meia-boca. Situações mal resolvidas só geram mais amargura entre as pessoas. Tão mais fácil brigar e colocar tudo em pratos limpos… Mesmo que a rusga não se resolva, a discussão deixa claro para todos que, pelo menos, existiu uma tentativa de acerto. E, em pleno século 21, pecar pela omissão é o pior dos erros.

Confesso que não sou daqueles que sai por aí levantando a voz para geral, mas deixo uma série de argumentos engatilhados caso seja necessário fazer uso deles. Também não quero, com esse texto (escrito propositalmente em primeira pessoa – que fique claro), incentivar os meus amados leitores a transformarem a cidade em uma constante mesa redonda, de debates acalorados beirando o tapa. Só fica aqui uma mensagem de defesa ao barraco, seja qual for a sua causa geradora. Sempre, claro, abençoados por Madre Christina Rocha de Nazaré.

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Amém!

Agora, pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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