Tempos mais que modernos – O retorno

Cheguei em casa, ontem à noite, bem cansado, após participar da versão maringaense dos protestos que tomaram conta do Brasil nos últimos dias. Foi limpando a tinta verde e amarela do rosto que consegui, de fato, me dar conta da importância desses protestos para a sociedade atual. Há três semanas, escrevi – tomando como gancho o lançamento da novela “Amor à Vida” – sobre o quão importante está sendo a mudança de comportamento da geração atual, que prova dia após dia não ter de deixado alienar totalmente pela internet. Sem usar a prepotência de um profeta, mas eu previ que as coisas estavam mudando.

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As manifestações, que tiveram como estopim o aumento das tarifas do transporte público, ganharam tons de grito reprimido. Nada mais verdadeiro do que dizer que os movimentos vão muito além dos centavos a mais pelo ônibus: é o desejo de uma geração que prometia passar os anos com a bunda gorda esquentando uma cadeira fofa em frente ao computador, mas que surpreendeu e decidiu mostrar a que veio. E é justamente essa surpresa que está causando tanta comoção diante das manifestações.

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Claro que, como todo protesto, os excessos não podem ofuscar o foco principal e o brilho da manifestação. Seria um erro dizer que esses movimentos estão marcados pelo vandalismo, uma vez que está mais do que claro – inclusive pela mídia – que esse tipo de ato é feito por uma minoria. Ou seja: não estamos perdendo a razão.

Cuidados a parte, dessa vez nem os posers devem ser condenados. Afinal, são vozes a mais pra gritar e proliferar as manifestações pelo Facebook, com suas fotos posadas com o cartaz. Temos um protesto nas mãos. É hora de aproveitar e fixar o nome na história desse país. Vamos à luta, caras-pintadas!

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Agora, pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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