A Síndrome de Cigano Igor

Se hoje Tatá Werneck arrasa do seu primeiro papel em novelas no horário nobre, nem sempre as novelas tiveram a mesma sorte. Em 1995, a novela “Explode Coração” trazia, junto com toda a cultura cigana, um estreante em papel de destaque. O astro da vez era o até então modelo Ricardo Macchi, que seria responsável por atazanar o romance da mocinha Dara (Tereza Seiblitz) e do galã Júlio Falcão (Edson Celulari). Mas Dara e Júlio não tiveram esse problema. A atuação de Macchi como o invejoso cigano Igor foi tão sofrível que minguou ao longo da trama, e marcou a teledramaturgia brasileira de tal maneira que o nome do personagem se tornou sinônimo de atuação ruim.

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O tempo passou, Macchi fez mais uma ou duas novelas, mas o estigma do cigano Igor nunca o deixou. Após quase dez anos de ostracismo, ele ressurgiu ano passado, em uma propaganda da Volkswagen, tirando sarro de si mesmo. No comercial, o ator (ator?) fazia um teste junto com o astro hollywoodiano Dustin Hoffmann, no qual propositalmente tinha um desempenho inferior ao do ator americano. A mídia caiu em cima do comercial, elogiando a esportividade de Macchi que, elegantemente, soube se recolocar na boca do povo.

Mas, como nem tudo são flores, esse ano as citações ao emblemático personagem voltaram. Em “Sangue Bom”, atual folhetim das 19h, uma menção negativa ao desempenho do ator seria feita. Ao saber disso pela mídia, Macchi se estressou e descascou a produção da novela via Facebook, chamando de perseguição as referências da novela. Maria Adelaide Amaral, autora de “Sangue Bom”, prontamente limou o diálogo e abafou o caso, dizendo “que não quis ferir feridas ainda abertas”.

Confesso que me senti no jardim de infância ao ler o fuzuê que Macchi fez no Facebook. Até ontem ele ria de si mesmo, desmonstrando uma esportividade ímpar. Agora, a brincadeira feita na antiga casa (a Globo) não foi legal e teve de ser tirada do ar – porque o reizinho bateu o pé e não curtiu. Estranho, muito estranho… Eu posso brincar com as minhas próprias falhas, mas só eu e mais ninguém? Esse deve ser o lema da “síndrome de cigano Igor”, um fenômeno que merece o estudo dos pedagogos e psicólogos, uma vez que acomete crianças e crianças de todos os prezinhos do nosso Brasil. Cadê a maturidade exposta no comercial da Volks, tempos atrás?

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Nada como um bom cachê para amadurecer nossos corações capitalistas.

Agora, pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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