A Banalização do Oral

Conversando com dois amigos em uma dessas tradicionais noites carentes de sexta-feira, ouvi de um deles que sexo oral não é sexo em si. É apenas uma preliminar e que, sem ele, as coisas ficam incompletas. Depois da conversa, me peguei a pensar na triste condição que o sexo oral se encontra: se outrora isso era uma prática cheia de pudor (onde já se viu colocar a boca em um pinto, ou em uma tchetcheca!), hoje se resume a um preparativo, que nem considerado sexo é. Mas, se pararmos para pensar, não é só o sexo oral que caiu na banalização. Indo mais além, podemos reparar que toda a oralidade está mais comum do que o fato de respirarmos oxigênio. Ou de fazer cocô. Ou de tudo mais o que é comum a todos.

Houve um tempo em que a palavra era o maior bem que um homem poderia ter. Isso funcionava muito no tempo dos coronéis: se o sujeito deu a palavra, nossa, aquilo valia mais do que documento. O tempo passou. A palavra perdeu o valor. Tudo se deu de um jeito único: conforme a pilantragem cresceu, a expressão “te dou a minha palavra” foi se esvaindo, esvaindo, até se acabar. Quem é que confia na palavra de quem hoje? Valor mesmo a gente dá é no papel, na assinatura, ali, de caneta, preferencialmente caneta azul ou preta. E Bic. Ah, se for assinatura feita de Bic, aí sim o negócio tem valor.

rihanna

Enquanto isso, as sensações do sexo oral caíram no senso comum. Até o Mr. Catra já entrou na dança, dizendo que “uma mamada e um copo d’água não se nega a ninguém”. Olha só… Está fácil assim, tão comum quanto beber água. E a palavra? Segue desvalorizada, afinal falar todo mundo fala. Quero ver agir. Uma pena, pois falar e fazer deviam andar juntos, lado ao lado, como dois irmãos. Mas esperar o que de um tempo onde até a oratória segue desvalorizada? Bom mesmo é escrever no Facebook, com um linguajar todo abreviado.

suck

Fica aqui o pedido por um mundo com palavras bem pronunciadas, promessas cumpridas e boquetes bem feitos.

Agora, pode discordar de mim. Eu gosto.
Thiago Bulhões

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